ATERRAMENTO
1
– INTRODUÇÃO
O aterramento elétrico, com certeza, é um assunto que
gera um número enorme de dúvidas quanto às normas e procedimentos no que se
refere ao ambiente elétrico industrial.
Muitas vezes, o desconhecimento das técnicas para realizar
um aterramento eficiente, ocasiona a queima de equipamentos, ou pior, o choque
elétrico nos operadores desses equipamentos.
Mas o que é o “terra”? Qual a
diferença entre terra, neutro, e massa?
Quais são as normas que devo seguir para garantir um bom
aterramento?
Bem, esses são os tópicos que este artigo tentará
esclarecer. É fato que o assunto "aterramento" é bastante vasto e
complexo, porém, demonstraremos algumas regras básicas.
2
– PARA QUE SERVE O ATERRAMENTO ELÉTRICO?
O aterramento
elétrico tem três funções principais:
a
– Proteger o usuário do equipamento das descargas atmosféricas, através da
viabilização de um caminho alternativo para a terra, de descargas atmosféricas.
b – “ Descarregar” cargas estáticas acumuladas nas carcaças das
máquinas ou equipamentos para a terra.
c –
Facilitar o funcionamento dos dispositivos de proteção ( fusíveis,
disjuntores, etc. ), através da corrente desviada para a terra.
Veremos,
mais adiante, que existem várias outras funções para o aterramento elétrico,
até mesmo para eliminação de EMI, porém essas três acima são as mais
fundamentais.
3
– DEFINIÇÕES : TERRA, NEUTRO, E MASSA.
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Antes de falarmos sobre os tipos de
aterramento, devemos esclarecer (de uma vez por todas !)
o que é terra, neutro, e massa. Na figura 1 temos um exemplo da
ligação de um PC à rede elétrica, que possui duas fases (+110 VCA, - 110
VCA), e um neutro. |
Essa
alimentação é fornecida pela concessionária de energia elétrica, que somente
liga a caixa de entrada ao poste externo se houver uma haste de aterramento padrão
dentro do ambiente do usuário. Além disso, a concessionária também exige dois
disjuntores de proteção.
Teoricamente,
o terminal neutro da concessionária deve ter potencial igual a zero volt.
Porém,
devido ao desbalanceamento nas fases do transformador de distribuição, é comum
esse terminal tender a assumir potenciais diferentes de zero.
O
desbalanceamento de fases ocorre quando temos consumidores com necessidades de
potências muito distintas, ligadas em um mesmo link.
Por exemplo,
um transformador alimenta, em um setor seu, uma residência comum, e no outro
setor, um pequeno supermercado. Essa diferença de demanda, em um mesmo link,
pode fazer com que o neutro varie seu potencial (flutue).
Para evitar
que esse potencial “flutue”, ligamos (logo na entrada) o fio neutro a uma haste
de terra. Sendo assim, qualquer potencial que tender a aparecer será escoado
para a terra.
Ainda
analisando a figura 1, vemos que o PC está ligado em 110 VCA, pois utiliza uma
fase e o neutro.
Mas, ao mesmo
tempo, ligamos sua carcaça através de outro condutor na mesma haste, e damos o
nome desse condutor de “terra”. Pergunta “fatídica”: Se o neutro e o terra estão conectados ao mesmo ponto (haste de
aterramento), porque um é chamado de terra e o outro de neutro?
Aqui vai a
primeira definição: o neutro é um “condutor” fornecido pela concessionária de
energia elétrica, pelo qual há o “retorno” da corrente elétrica.
O
terra é um condutor construído através de uma
haste metálica e que, em situações normais, não deve possuir corrente elétrica
circulante.
Resumindo: A
grande diferença entre terra e neutro é que, pelo neutro há corrente
circulando, e pelo terra, não.
Quando houver
alguma corrente circulando pelo terra, normalmente ela
deverá ser transitória, isto é, desviar uma descarga atmosférica para a terra,
por exemplo.
O fio terra,
por norma, vem identificado pelas letras PE, e deve ser de cor verde e amarela.
Notem ainda
que ele está ligado à carcaça do PC. A carcaça do PC, ou de qualquer outro
equipamento é o que chamamos de “massa”.
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MEDINDO
O TERRA
O
instrumento clássico para medir se a resistência do terra
é o terrômetro.
Esse
instrumento possui 2 hastes de referência, que servem
como divisores resistivos conforme a figura 6 .
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Na verdade, o terrômetro “injeta”
uma corrente pela terra que é transformada em “quedas” de tensão pelos
resistores formados pelas hastes de referência , e pela
própria haste de terra. Através do valor dessa queda de
tensão, o mostrador é calibrado para indicar o valor ôhmico da resistência do terra. |
Uma grande
dificuldade na utilização desse instrumento é achar um local apropriado para
instalar as hastes de referência. Normalmente, o chão das fábricas são
concretados, e , com certeza, fazer dois “ buracos” no
chão ( muitas vezes até já pintado ) não é algo agradável Infelizmente, caso
haja a necessidade de medir – se o terra , não temos outra opção a não ser
essa. Mas, podemos ter uma ideia sobre o estado em que ele se encontra , sem medi–lo
propriamente. A figura 7 mostra esse “ truque”.
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Em primeiro lugar escolhemos uma
fase qualquer, e a conectamos a um pólo de uma
lâmpada elétrica comum. Em segundo lugar, ligamos o outro pólo da lâmpada na haste de terra que estamos analisando.
Quanto mais próximo do normal for o
brilho da lâmpada, mais baixa é a resistência de terra. |
Caso o você queira ser mais preciso, imaginem um exemplo de uma lâmpada
de 110 volts por 100 W .
Ao fazer
esse teste em uma rede de 110 V com essa lâmpada, podemos medir a corrente
elétrica que circula por ela. Para um “terra” considerado razoável, essa
corrente deve estar acima de 600 mA.
Cabe lembrar
ao leitor que, essa prática é apenas um artifício ( para
não dizer macete ) com o qual podemos ter uma idéia
das condições gerais do aterramento. Em hipótese alguma esse método pode ser
utilizado para a determinação de um valor preciso.
ATERRAMENTO EM RESIDÊNCIA
PASSO A PASSO