
Desenvolvido no Brasil em meados da década de 30, o chuveiro elétrico
procurou substituir nesse país a fonte principal de calor.
– Uma vez que redes de gás eram praticamente inexistentes nas grandes
cidades
– Ao contrário da energia elétrica.
Com a rápida urbanização assistida no Brasil desde então, esta solução foi
sendo a principal adotada, embora convivesse com outras formas de aquecimento
da água.
De concepção bastante simples, o
chuveiro elétrico era constituído de um elemento de aquecimento, chamado de
"resistência" no Brasil (não confundir com resistor), feito de um fio
espiralado composto de metais com alto ponto de fusão, como o níquel, o cromo
ou uma liga dos dois metais, que ao aquecer, esquenta imediatamente a água,
além do espalhador com inúmeros orifícios, sempre parecido com os tradicionais
chuveiros.
Durante o período da Segunda Guerra
Mundial, com a escassez de níquel, utilizou-se também um sistema alternativo, composto
por uma série de pequenas placas de aço inoxidável alternadas entre os pólos da
rede elétrica que atuavam como eletrodos de aquecimento no interior do
chuveiro, onde a própria água que o abastecia gerava resistência elétrica,
aquecendo-se.
Porém este sistema era instável,
conforme o teor de minerais e cloro na água podia,
levar ao curto-circuito bem como a grande quantidade de potência reativa gerada
nos eletrodos prejudicava os medidores de energia e os transformadores.
Os primeiros chuveiros elétricos
eram perigosos, pois havia negligência por parte de fabricantes e instaladores
quanto à isolação eficaz de condutores elétricos, elementos energizados e a
carcaça metálica do aparelho, ocasionando choques elétricos.
O fenômeno eletrolítico gerado na
água pela resistência elétrica e a carcaça de chuveiros metálicos também
produzia pequenos choques e formigamentos ao tocar no registro de água. Estes
chuveiros elétricos necessitavam de uma chave corta-circuito para
ligar/desligar a energia elétrica, tornando o uso do chuveiro perigoso.
No início dos anos 40 uma empresa
situada em um bairro tradicional da grande São Paulo chamada FAME (Fábrica de
Aparelhos e Materiais Elétricos), iniciou suas atividades fazendo ferros de solda,
torneiras elétricas e chuveiros elétricos, entre eles, alguns modelos onde a câmara de aquecimento era de vidro, o que reduzia o risco
de choques elétricos durante o banho.
Em 1940, a empresa Sintéx, também
situada em São Paulo, inventou um chuveiro mais seguro, o qual possuía uma
alavanca para abrir o fluxo de água e acionar a resistência elétrica. Neste
sistema, a alavanca acionava um registro de água e também uma chave
corta-circuito. Movendo-se a alavanca, abria-se o fluxo de água, estando a água corrente, o próximo estágio do curso da alavanca
fechava o circuito elétrico, acionando a resistência.
Este chuveiro foi a
base para todos os chuveiros elétricos fabricados ao longo da década de 40 e
início da década de 50.
Em meados dos anos 40, em Jaú-SP,
Francisco Canhos Navarro desenvolveu o primeiro chuveiro completamente
automático, que se ligava automaticamente ao abrir o registro de água.
Este sistema dotava o chuveiro
elétrico de um diafragma de borracha, onde contatos e uma resistência eram
fixados. Ao circular a água pelo aparelho, a pressão inflava o diafragma,
aproximando os contatos da resistência aos contatos energizados situados em um
cabeçote no aparelho, fechando o circuito elétrico.
Este chuveiro também possuía duas
resistências, sendo uma de baixa potência e outra de alta potência de
aquecimento, de onde a combinação de funcionamento delas proporcionava várias
temperaturas da água do banho.
Este sistema é a
base de praticamente todos os chuveiros elétricos desenvolvidos posteriormente
até hoje. Outra empresa fabricante de materiais elétricos situada na cidade de
São Paulo, a Lorenzetti, desenvolveu em 1955 um chuveiro com sistema dotado de
um pistão interno que movia-se com a passagem da água
pelo aparelho, fechando ou abrindo o circuito elétrico da resistência também
através da passagem de água.
Graças à extensa propaganda feita
pelos fabricantes e os altos custos com canalizações de gás, o chuveiro
elétrico passou a ser um eletrodoméstico muito popular no Brasil e é utilizado
por quase toda a população. De seu projeto, derivaram outros aparelhos
semelhantes, como aquecedores para pias e lavatórios e a "torneira
elétrica", que basicamente consiste em um chuveiro elétrico dotado de um
bico de saída d’água e registro de passagem.
A popularização do plástico ao longo
dos anos 60 e 70 também alcançou a fabricação de novos chuveiros mais seguros.
Em 1970 a empresa Corona lançou o primeiro chuveiro inteiramente feito em
plásticos como o polipropileno, nylon e baquelita, seguido por
outros fabricantes nos anos seguintes.
Esses chuveiros foram apelidados de
"Super Ducha" e eram aparelhos de menor custo frente aos chuveiros
metálicos, normalmente feitos de latão ou bronze com acabamento cromado. Além
das cores e maior liberdade de criação no design, o plástico também
proporcionou melhor isolamento elétrico em relação aos chuveiros metálicos, uma
vez que raramente eram aterrados como recomendavam os fabricantes.
|
|
A
adoção de resistências blindadas, novas normas de aterramento e instalação
elétrica no final dos anos 80 também contribuíram para que os chuveiros
elétricos tornassem aparelhos mais seguros. Hoje é tão seguro utilizar um
chuveiro quanto um secador de cabelos ou um liquidificador, desde que tomados
os devidos cuidados que um aparelho elétrico qualquer exige. |
A desvantagem dos chuveiros
elétricos está no consumo de energia. Como é necessária muita caloria para
aquecer a água, a resistência elétrica consome muita energia para incandescer e
aquecer a água.
Para se ter
uma ideia, eletrodomésticos considerados de grande consumo, como aquecedores de
ambiente, ferros de passar roupas, fornos elétricos ou secadores de cabelo, em
suas potências máximas consomem em média 1500 watts em 120 ou 127 volts; e até
2500 watts em 220 volts.
Um chuveiro elétrico, em sua
potência mínima, consome entre 2500 e 3200 watts, em suas máximas potências,
chegam a consumir 5500 watts em 127 volts e até 7500 watts em 220 volts! O
fator de equilíbrio está no seu tempo de utilização, pois consomem energia
elétrica apenas durante o banho, consumindo relativamente menos que um
ar-condicionado ou geladeira, que ficam ligados ou ciclando ao longo do dia
todo.
Um problema está no tempo médio de
banho diário de um brasileiro, apesar de os fabricantes e órgãos ambientais
recomendarem menos de 10 minutos, normalmente ele se estende até os 20 ou 30
minutos, contando o fato que é muito comum se tomar mais de um banho diário em
algumas regiões do país.
A vantagem dos chuveiros elétricos é
que o consumo de água é menor que nas duchas de aquecimento a gás, pois exigem
volume ligeiramente menor de água para funcionarem comparado
às duchas de aquecimento central ou boiler, onde a tendência do usuário é a de
aumentar ainda mais o volume de água no banho.
Em relação aos aquecedores centrais,
os chuveiros elétricos também levam vantagem quanto à rapidez com que a água
esquenta, enquanto muita água é desperdiçada até a água quente chegar à ducha e
que se obtenha a temperatura desejada, ela esquenta em segundos após abrir o
registro d’água nos chuveiros elétricos, economizando muito no saldo mensal de
consumo de água. Aliado ao fato de que no Brasil o principal sistema de
obtenção de energia é por hidrelétricas, uma fonte limpa em relação à queima de
oxigênio com o gás.
Outro ponto a favor dos chuveiros
elétricos é que a maior parte do território brasileiro possui clima quente em
todo o ano, contribuindo para o baixo consumo de energia elétrica com
chuveiros.
Nos estados situados mais ao sul do
país é que são encontrados chuveiros de maior potência devido às baixas
temperaturas da região.
No entanto, no final dos anos 90
duas empresas do Estado de Santa Catarina, Thermosystem e Zagonel,
desenvolveram vários modelos de chuveiros populares com 05 a 08 níveis de
temperaturas, os quais possibilitaram uma redução significativa do consumo
anual de energia elétrica nos estados de clima mais frio, uma vez que a
potência máxima se faz necessária apenas em algumas semanas dos meses mais
frios.
Em países onde a temperatura no inverno
oscila entre 0ºC e -2ºC, um chuveiro elétrico, instalado de acordo com as
recomendações dos fabricantes, é capaz de aquecer a água o bastante para um
banho confortável, principalmente as versões em 220V,
tensão para a qual há opções de aparelhos mais potentes do que em 127V.
Atualmente, são encontradas no
Brasil diversas marcas, cada qual com vários modelos diferentes de chuveiros
elétricos. Cerca de 65 países importam chuveiros
elétricos e alguns já possuem fabricantes locais, como Colômbia, Reino Unido,
Venezuela e México.
Empresas brasileiras
Também apresentaram
em feiras de eletrodomésticos chinesas o aparelho como alternativa barata de
obtenção de água quente, o qual foi recebido com interesse e parcerias com
empresas locais foram firmadas. De "vilão" do consumo de energia, o
chuveiro elétrico pode ser uma boa alternativa para a economia de água e do
gás, principalmente em países onde a energia elétrica custa menos que o
abastecimento com gás.
Como funciona o chuveiro eletrico.flv Teste de chuveiros
elétricos.flv Troca de Resistência.flv
Tarefa;
você terá que explicar o funcionamento de um chuveiro para o professor de uma
revisada na matéria.
Se
você achar necessário de uma revisada na aula. Fique a vontade.