Equipamentos e ferramentas de trabalho (escolha, uso, conservação, verificação e ensaios)

Equipamentos e ferramentas de trabalho (escolha, uso, conservação, verificação e ensaios).

Convidamos o leitor a analisar com cuidado a sequência acima entre parênteses. Note-se

que tudo faz sentido. Antes de qualquer outra atitude, a ferramenta ou equipamento certo deve ser escolhido, para só então poder ser usado.

Só se conserva o que se usa com frequência. Manter algo em bom estado é natural, desde que seja uma ferramenta ou equipamento útil. Se não for assim, trata-se de algo descartável (do tipo ‘usou? – jogue fora’). A conservação efetiva só se configura quando houver verificação das condições desse equipamento ou ferramenta, por meio de uma inspeção que, no caso de materiais utilizados em alta tensão energizada, deve implicar em submeter essa ferramenta ou material a ensaios.

 

Bastões Isolantes

 

São confeccionados em fibra de vidro, impregnados com resina de epoxi e guarnecidos internamente de espuma de "Poliorietano". Possuem características mecânicas adequadas a cada tipo de serviços e são fabricados para resistir a uma tensão elétrica de até 2,5KV por centímetro, o que equivale a dizer que para cada metro de bastão a tensão de isolação é 250KV, sem que haja quaisquer danos aos eletricistas. Existem uma grande variedade de

 

bastões utilizados nos serviços de linha viva, a saber:

 

Bastão de Amarração com gancho rotativo Utilização

a. É utilizado para amarrar e desamarrar condutores;

b. Deve ser submetido à inspeção visual antes de ser utilizado.

 

Conservação

a. Lavar periodicamente com água e sabão neutro, bem como fazer inspeção visual, a fim de detectar possíveis falhas incompatíveis com seu funcionamento;

b. Acondicionar de forma adequada, tanto para armazenamento, como para transporte.

 

Bastão Garra

Utilização

a. É utilizado para afastar os condutores e mantê-los fora da área de trabalho, ou transferi-los para novas posições;

b. Deve ser submetido à inspeção visual antes de ser utilizado.

 

Conservação

a. Lavar com água e sabão neutro, bem como fazer inspeção visual a fim de detectar possíveis falhas incompatíveis com seu desempenho;

b. As partes articuláveis devem ser lubrificadas com pó de grafite;

c. Acondicionar de forma adequada, tanto para armazenamento, como para transporte.

 

Bastão de Conexão

Utilização

a. É utilizado para interligação com grampo de linha viva (conexões com garra viva).

Serve também para manipular diversos equipamentos de linha viva;

b. Deve ser submetido à inspeção visual antes de ser utilizado.

 

Conservação

a. Lavar periodicamente com água e sabão neutro, bem como fazer inspeção visual, a fim de detectar possíveis falhas incompatíveis com seu desempenho;

b. Acondicionar de forma adequada, tanto para armazenamento como para transporte.

Esses bastões isolantes devem ser ensaiados em todo o seu comprimento, onde se aplica de maneira gradativa tensões de 100kV em 30cm. Essa tensão deve permanecer por um tempo mínimo de 60 segundos. O dielétrico de separação entre o potencial de tensão e o bastão isolante deve ter por norma uma resistência ôhmica de no mínimo 100MΩ.

Para os ensaios mecânicos os bastões são submetidos a esforços de flexão a partir de um comprimento de 2,60m. Entre o primeiro apoio (engaste) e o segundo apoio (fulcro) a distância é de 900mm e do apoio 2 até o ponto da carga de teste 1500mm. Uma carga (massa ou força-peso) é aplicada no sentido vertical do bastão, durante 60 segundos, variável em relação ao diâmetro do bastão. Para 32mm de diâmetro a carga deve ser de 23kgf e a flecha máxima admissível é de 0,5m. Para 51mm a carga é de 23kgf também, mas a flecha só pode chegar a 0,25m. Já para bastões de 76mm de diâmetro, a carga é de 68kgf e a flecha admissível é de apenas 5cm. O mesmo teste é repetido girando-se o bastão em 90º em torno de seu eixo longitudinal e nas duas extremidades do bastão. O ensaio de tração dura 180 segundos, devendo o bastão suportar a carga a ele aplicada sem se romper.

 

Cordas

Utilização

a. É utilizada para equipar moitões e carretilhas.

Conservação

a. As cordas devem ser lavadas com água e sabão neutro e em seguida colocadas para secar. São confeccionadas em dois tipos de fibra, classificadas quanto ao tipo, isto é, sintética (polipropileno, polietileno, poliéster ou nylon) ou natural (sisal ou manilha). Apesar das cordas fabricadas com fibras naturais serem de custo inferior, suas qualidades elétricas são bem inferiores que as do tipo sintético. Cordas naturais, portanto, não devem ser utilizadas em trabalhos com linha viva.

Nas cordas, o colaborador deve verificar o tipo de encordoamento especificado (trançado ou torcido), bem como se a cor está homogênea, se a seção está uniforme, prestando toda a atenção se seus fios têm continuidade e se não há impurezas ou sinais de abrasão (desgaste ou ‘raspagem’).

 

Escadas

Assim como os andaimes e plataformas, as escadas devem ser verificadas quanto à uniformidade do revestimento antiderrapante, além das verificações já citadas no curso básico. Nos ensaios elétricos, a escada é tratada de maneira análoga aos bastões.

Já os ensaios mecânicos de flexão são feitos com a escada na posição horizontal, apoiada sobre roletes. Para escadas de até 3,5m a distância entre os roletes deve ser de 1,80m com flecha admissível de 1,5cm. Para escadas de 4,00 a 5,50m, a distância entre os apoios deve ser de 3,40m, com flecha admissível de 10cm. Por fim, escadas maiores que 5,60m devem ter entre os roletes 5m e flecha máxima de 28cm. A carga aplicada no centro da escada é de 250kgf durante 180 segundos. Depois de decorrido esse tempo é que a flecha deve ser medida. Em seguida, a escada é girada em 180º sobre seu eixo, e o teste é repetido.

No ensaio de tração, as escadas são testadas com carga de 750kgf, aplicada simultaneamente nos dois olhais e no sentido longitudinal da escada. O teste de tração tem o mesmo tempo do de flexão, isto é, 3 minutos.