Organização do Trabalho
De
acordo com o texto da nova NR 10 em seu subitem 10.11.7., antes de iniciar
trabalhos em equipe, os seus membros, em conjunto com o responsável pela
execução do serviço, devem realizar uma avaliação prévia, estudar e planejar as
atividades e ações a serem desenvolvidas no local, de forma a atender os
princípios técnicos básicos e as melhores técnicas de segurança aplicáveis ao serviço.’
Não
se concebe um trabalho, qualquer que seja, sem o
mínimo de organização. E essa organização, como cita o subitem 10.11.7 da NR
10, passa necessariamente, pelas etapas abaixo:
a.
avaliação prévia;
b.
estudo; e
c.
planejamento de atividades e ações.
Tratando-se
de segurança em instalações e serviços em eletricidade, basicamente, a primeira
análise necessária é aquela que procura identificar, avaliar e tratar aquilo
que chamamos de risco. Intrinsecamente existe o risco de choque elétrico, mas
além dele, há também os chamados riscos adicionais.
Entretanto,
essa avaliação, além de considerar os riscos envolvidos na tarefa e as medidas
preventivas adotadas, deve forçosamente considerar quem são os membros da
equipe, os seus responsáveis, o nível de tensão com o qual se vai interagir, o
local de trabalho, data e horário de início, e finalmente data e horário de
conclusão.
Só
após essa avaliação inicial é que se realiza um meticuloso estudo sobre as
atividades que deverão ser realizadas.
E de
uma maneira a simplificar esse raciocínio, cabe colocar como matéria-prima
desse estudo os dados da avaliação prévia, como também a execução de um
procedimento de trabalho, em detalhes, passo a passo, fazendo constar na ordem
de serviço todas as etapas, a fim de conectar de modo eficiente toda a
documentação necessária (análise de riscos, dados técnicos do trabalho e
características físicas e técnicas do local).
Na
sequência então se estabelece por meio de um plano de ações o que fazer (a
etapa), como fazer (a descrição), a justificativa da necessidade de se realizar
a tarefa, o tempo previsto até a conclusão dos trabalhos, os colaboradores envolvidos
(liderança e liderados) e, finalmente, se possível, os custos envolvidos na
tarefa (mãode-obra, material, ferramental, aluguel de
equipamentos, etc).
Programação e planejamento
dos serviços
O
planejamento constitui o processo de elaborar, pensar e fazer previsões
estabelecendo fatos para atingir um objetivo final, utilizando dados iniciais
obtidos por pesquisas ou consultas, para poder prever e integrar todos os elementos
pertinentes a um problema, pois disso dependerá o sucesso da tarefa.
O
planejamento facilita o aproveitamento do tempo, dos materiais, do equipamento
e do pessoal.
Sem
planejamento, perde-se tempo, se gasta energia, e o serviço sai mal feito, isso
significa também, perda de dinheiro.
As
seis perguntas abaixo permitem estabelecer um plano de atividades com
antecedência para cada tarefa. O que? Com quê? Onde? Como? Quem? Quando?
O que ou quanto deverá ser
feito?
A
resposta a uma dessas perguntas indica a meta a ser alcançada, mostrando os
passos do serviço ou as quantidades que devem ser feitas.
Com
que esta tarefa deverá ser feita?
Esta
resposta mostra tudo que vai ser utilizado na execução: equipamentos,
materiais, ferramentas, etc.
Onde
deverá ser feita?
Esta
resposta leva a escolher o local para fazer a tarefa. Por local, entende-se: a
parte da obra, o setor, o posto de trabalho, a máquina, etc.
Quando
deverá ser feita?
Esta
resposta estabelece o prazo para a realização. Deve ser marcada uma data para
início e uma para término das partes do serviço ou das quantidades que devem
ser feitas.
Quem
deverá fazer?
Esta
resposta permite saber quais as pessoas que devem participar da execução, desde
a categoria profissional (pedreiro, marceneiro, ajudante) até o nome das
pessoas (João, Carlos, Pedro, etc.).
Como
deverá ser feita?
Esta
resposta mostra qual a maneira de fazer a tarefa, isto é, determina o método de
trabalho.
Além
de responder essas perguntas, o planejamento deve prever, também, um sistema de
controle e avaliação que permita, com segurança, alcançar o objetivo determinado
de acordo com o que foi programado.
Trabalho
em equipe
O
trabalho em equipe surge diante da necessidade da execução de uma tarefa que
necessite de mais de um indivíduo, para alcançar um objetivo comum:
Segue
abaixo alguns princípios para se formar uma equipe:
•
Objetivos comuns (participar dos mesmos propósitos);
•
Dependência recíproca para a satisfação das necessidades (ajuda mútua);
•
Consciência de equipe;
•
Comunicabilidade entre os membros da equipe;
• Habilidade
de atuar de forma unitária;
•
Comprometimento com resultados;
•
Oportunidades democráticas no processo de tomada de decisão;
•
Transparência e confiança mútuas.
Atitude
de uma equipe:
Sempre
que estiver participando de uma discussão em equipe, procure:
•
Compreender bem qual é o objetivo da atividade e o tempo estipulado para a sua
realização.
•
Solicitar maiores esclarecimentos, fazendo algum gesto com as mãos a fim de que
sua voz não se sobreponha à de quem está com a palavra.
•
Interferir somente quando estiver com dúvida real ou uma nova contribuição a
acrescentar.
•
Dar seguimento a última ideia apresentada. Ser objetivo.
•
Controlar a ansiedade de querer falar muito, não dando oportunidade a outras
Segurança no pessoas ou fazendo monopólio da
discussão.
•
Ajudar na solução de conflitos, se houver, propondo a reflexão sobre fatos e
não sobre opiniões apenas.
•
Usar sabedoria de humor: rir com os outros e não dos outros.
•
Saber aproveitar as discordâncias, porque idéias diferentes podem enriquecer a
equipe.
•
Melhorar a capacidade de ouvir, especialmente quando há uma crítica relacionada
com o desempenho da equipe.
Em
uma equipe, as decisões que influenciem nas atitudes da mesma, devem ser
geradas através do consenso de seus participantes, só assim todos acatarão as
decisões sem reclamações, pois as decisões refletirão o pensamento da equipe.
No
âmbito ocupacional, o trabalho em equipe valoriza cada membro da equipe e
permite que todos façam parte de uma mesma ação.
Isso
além de possibilitar a troca de conhecimento, é decisivo nas relações
interpessoais, uma vez que traz motivação para o grupo no sentido de buscar de
forma coesa os objetivos traçados.
O
trabalho em equipe dá a chance a cada um de dar e receber, os sentimentos de:
a.
sentirem-se queridos, alvos do afeto dos demais;
b.
sentirem-se aceitos, apesar das deficiências individuais; e
c.
sentirem-se importantes, mesmo que exponham opiniões de pouca
importância.
O
preço a pagar no trabalho em equipe é basicamente composto de:
a.
cada vez maior volume de atividades;
b. responsabilidade
cada vez maior;
c.
nível de comprometimento crescente;
d.
capacidade em ser flexível.
Mas
o principal benefício advindo do pagamento desse preço é a liberdade,
que colocamos aqui em cinco medidas:
• criatividade
(liberdade para expressar seu pensamento criativo, sua idéia,
buscando soluções por vezes não convencionais, não achando que o fato de pensar
diferente implica em se estar errado, ou mesmo recear um deboche);
• participação
(liberdade para opinar, colocar seu ponto de vista, expor seu raciocínio,
sem recear ferir qualquer ego por isso);
• visão
de futuro (liberdade de perscrutar, especular, vislumbrar possibilidades,
ainda que não sejam compartilhadas por outros membros do grupo);
• questionamento
de posições (liberdade em ter, talvez e eventualmente, uma opinião
contrária à dos demais, sem recear qualquer mudança de comportamento dos outros
apenas por ter exposto sua idéia e ser ela oposta à
deles); e
• desenvolvimento
do senso crítico (liberdade para se colocar de maneira construtiva uma
crítica a uma ação ou postura, sem que haja bloqueios de qualquer natureza).